Atelier de artista plástica é feito com Terra e restos de materiais de construção

//Atelier de artista plástica é feito com Terra e restos de materiais de construção

Atelier de artista plástica é feito com Terra e restos de materiais de construção

Taipa antes do reboco

Taipa antes do reboco

A Margem Arquitetura, através da arquiteta Cecília Prompt, participou recentemente do projeto e início da construção do Atelier da artista plástica Júlia Burger, localizado numa ecovila charmosa em Caravelas (BA).

Segundo a artista e educadora que mora desde 2014 no sítio, após construir sua residência com sua família, resolveu construir seu espaço de trabalho para produzir suas artes como pintura, cerâmica e também utilizar o ambiente como um espaço de introspecção e escritório.

A artista e a arquiteta pensaram o projeto com o intuito de reaproveitar ao máximo o que já tinha de sobra de material das obras anteriores. As portas e janelas, a artista conseguiu  em demolição.

 

O espaço possui uma estrutura principal de madeira de eucalipto, madeira de reflorestamento facilmente encontrada na região. A base da casa foi feita com com bloco de concreto e a estrutura vertical com ripas de madeira duplo que ficam com uma espessura importante de 15 cm  para gerar o conforto térmico da casa.

O telhado verde também foi escolhido pela artista para dar continuidade ao contexto do lugar. “Escolhi o  telhado verde por buscar uma casa muito integrada com a estética do ambiente”, afirma Júlia.

Paredes de Terra (Taipa de Mão)

A principal técnica utilizada para o preenchimento das paredes foi a Taipa de Mão, também conhecida em algumas regiões como pau a pique. “Optamos por essa técnica pois  é um tipo de construção que a própria mão de obra local conhece por fazer parte da cultura local. Ao invés de usar uma técnica convencional, buscamos a construção com terra para trazer mais conforto térmico e menor impacto ambiental, pois a casa fica dentro de uma reserva ecológica”, reforça.

De acordo com a arquiteta a taipa de mão também foi escolhida porque os tipos de materiais disponíveis no local proporcionaram essa possibilidade.

 

 

 

Resgate da cultura local

 

15977673_1322815641115038_407772789891749842_n“Gostei do barro arenoso com teor de argila pra dar liga. Fizemos  o preenchimento de algumas paredes e ensinei a preparação de um reboco natural. Percebemos também que aqui na região antigamente construíam muito com terra porque era o material que se tinha disponível. Claro que antigamente as construções eram mais rústicas, as casas eram construídas com amarras ao invés de usar as ripas de madeira já cortadas. Também usavam o pau mais bruto na estrutura da casa. Retomar a técnica com aprimoramentos da bioconstrução devolve ao lugar uma harmonia original, ressalta a arquiteta.

 

Reboco Natural

A primeira camada do reboco foi uma mistura de terra, cal, esterco, serragem. Após secar bem, a segunda camada foi feita com terra, esterco, óleo de canola e grude de polvilho.

Para o tingimento do reboco, a arquiteta sugeriu tintas orgânicas com pigmentos naturais. Porém esse tipo de tinta é mais difícil de encontrar, além do custo ser mais alto. A artista plástica sugeriu, então, usar o pó xadrez de cor avermelhada pra misturar no reboco. “Fui ver a composição do pó xadrez e apesar de não ser totalmente natural,  fizemos a mistura e deu muito certo.” A obra deu uma parada para secar bem o barro e para finalizar o ateliê falta concluir a forração do telhado verde, finalizar o reboco e o piso.

 

 

 

By |2018-02-23T16:44:36-03:00fevereiro 17th, 2017|Construções com Terra|0 Comments